Ligeira reflexão de um notário acerca do Felipaço

 em Notarial

Vamos lá.

A Alemanha jogou melhor. Nós não jogamos nada!

Foi um "Felipaço", esta derrota, e não um "Mineiraço"! Felipão preocupou-se demais com os comerciais para a TV, esqueceu de treinar duro o time. Esqueceu o meio ofensivo (nenhum meia-de-ligação para anular os alas germânicos, que agiram livremente!), partiu para os flancos com volantes principiantes. Atordoado, trocou a posição deles no segundo tempo, com 5 a 0 no imperito lombo verde-e-amarelo. Resultado: queijo-suíço, rombo no meio, área livre para Kross, Schürrle & cia.)  Quiçá consigamos derrotar a Holanda no sábado que vem!

O que significa incerto ano e meio (Brasil dos noviços do Felipão), diante de mais de meia dúzia de longos anos treinando uma equipe (Alemanha atual de Joachim Löw e seus craques profissionais ao extremo, frios e certeiros, um grupo lídimo, sem erros, um verdadeiro futebol digno de campeões do mundo)?

A Costa Rica, sem nenhum craque, tomaria de no máximo 2×1. Ou quem sabe levaria para os pênaltis, como fez com a escorreita Holanda do veloz Arjen Robben, do terrível Wesley Sneijder e do torpedo Robin Van Persie.

Mas enfim, volvamos nossa atenção pós-ressaca para a realidade.

Tomemos a tragédia da tão amada seleção em BH como exemplo, nós, tão mal-compreendidos delegatários, centro-avantes de tão relevante função notarial.

Queremos um sistema notarial moderno e eficiente? Que nos organizemos em nossas entidades de classe. Que somemos esforços e façamos mais encontros nacionais compatíveis com a realidade da maioria de nossos colegas. Não dá para organizar sempre eventos em hoteis luxuosos demais, em ilhas de veraneio ou em Ilheus, Camboriús ou Foz do Iguaçus da vida. Que façamos valer os quase fictícios conselhos de ética das associações de classe, alguns deles jamais acionados, mesmo diante de peraltices praticadas por alguns notários que parece se clonam, tão úbíquos que são! Que vivifiquemos, mais e mais, a autorregulação da atividade!

São Paulo já age proativamente ao exportar excelentes ferramentas para outros estados. Mas muito mais precisa ser feito ainda. Qual a contribuição dos demais estados nesta luta? Precisa ser ampliada, e muito.

Não só de umbigões vivem as serventias extrajudiciais e seus ilustres capitães (abro parênteses: perfilhamos a opinião do brilhante Dr. Nalini: serventias são hoje as unidades que desempenham a função dos antigos "cartórios").

Somos milhares. Unidos seremos fortes! Pensando e agindo como um só corpo, integrado (vem daí o "corporativismo", no que esta expressão tem de positiva), sobreviveremos, modernos, oxigenados, reciclados, interligados em centrais nacionais próprias, eletronicamente coesos e concordes na autonormação – seremos um corpo único, mas não será a nossa uma conduta "cartorial", no que guarda de pejorativo tal vocábulo(1), não; abraçaremos uma causa justa, amparando o microssistema notarial e registral concebido pelo constituinte originário (art. 236 da Carta da República de 1988). E assim dizemos, "microssistema" (de interesse público, a par de seu exercício em caráter privado), para rechaçar pretensões de anexá-lo ao sistema geral do art. 37, muito embora nele esteja, de certo modo, imbricado.

Por fim, por que não pensar seriamente em um braço político no Congresso Nacional? Tornamos a pronunciar, pela bilionésima vez: ninguém barrou a Igreja Universal do Reino de Deus por conta de sua forte inserção no Congresso Nacional.

Dado o recado, envio a postagem, já conformado com a surra do Fla…, ops!, da Alemanha.

"Post-scriptum": Vencemos a organização da Copa. Estive em Fortaleza, nas quartas de final. A cidade estava belíssima. A Copa foi e está sendo belíssima. O Castelão estava belíssimo. O povo brasileiro é belíssimo! Que vença a Argentina, pois os hermanos precisam chegar ao bi!

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(1) Vejamos o que diz o dicionário eletrônico Aulete: Cartorial – 2. Pej. Diz-se de ato ou atitude que visa beneficiar ou atender interesses de determinado grupo.

 

 

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  • Silvia Mara L. De Almeida
    Responder

    Lido e concordo.

  • MONICA CARTEIRO
    Responder

    O dolorido placar de 7 a 1 nos obriga a encarar nossos erros e vulnerabilidades, não só como time de futebol mas, principalmente, como nação e como cidadãos.
    São várias as lições dessa derrota e podemos praticá-las no nosso cotidiano. A mais óbvia é a de que devemos ter humildade para reconhecer nossos pontos fracos, ouvir opiniões divergentes e considerar pontos de vista diversos. É preciso também fortalecer os talentos individuais mas investir na força da coletividade.
    Enfim, temos muito trabalho pela frente! Mãos à obra!

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