Virtualidade Real

 em Doc. Eletrônico

 

Surpresa, fascinação, mistério, encantamento e por fim adoração. E assim desde então o homem vem se espantando com sua própria capacidade e invenções, Jaron Lanier um conhecido cientista norte americano, lá no início dos anos 90, ao que se tem notícia foi o primeiro a usar a expressão “realidade virtual”, fascinado diante do que via e “sentia” ao descobrir a simulação de ambientes e coisas num computador.

Além de Lanier, Nicholas Negroponte em sua antológica obra Being Digital (1995) também plantou misticismo quando fez uma clara distinção entre os bens em átomos e em bits. Em sua célebre definição afirmava: “Um bit é algo como a água, não tem cor não tem cheiro, porém seus (não) atributos são mais que esses. Um bit também não tem tamanho ou peso… é um estado ligado ou desligado, verdadeiro ou falso…”

E assim caminhou a humanidade, encantada e fascinada com essa nova descoberta, os misteriosos bits – que diariamente continuam a causar-nos espanto diante de suas funcionalidades -. Virtual opôs-se ao real, a antítese jocosa de Lanier pegou. O tempo, que em outros tempos era presente, passado ou futuro, passou a ser também o “em tempo real”. As comunidades, que outrora eram compostas de pessoas que habitavam o mesmo lugar e se conheciam, passam a existir também na forma “virtual”.

Virtual em seu sentido da era pré-digital – aquele que existe somente como perspectiva, que é etéreo e portanto imaterial – confundiu-se com o virtual pós digital, decorrente de uma saída sensorial, produto de um software. A confusão sendo somente lingüística, como força de expressão, não causaria maiores danos. Porém, confundi-los tratando os bits como bens incorpóreos tem criado situações legais, no mínimo, curiosas para não dizer esdrúxulas. Uma delas: Software vendido em CD na prateleira, tributado como mercadoria e aqueles baixados pela internet como serviços.

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