SOBRE ERROS E ACERTOS

 em Diversos

 

 

                Acabo de ler a biografia de Steve Jobs, dele como todo gênio os opostos se equivalem, o lado insano se opõe ao luminoso. Salta aos olhos a personalidade bipolar – às vezes beirando a loucura – , as mentiras, a constante e persistente “distorção da realidade” e  a capacidade de despertar contra si admiração e ódio. 

                Mas, o que me surpreendeu mesmo é a quantidade de desacertos profissionais – e pessoais –  e quanto ao primeiro o consequente volume de dinheiro e tempo que gastou em frustradas experiências. Essa foi, na minha visão a maior lição que Jobs – com sua meteórica passagem por aqui – nos deixou.

                É verdade que se olharmos para a história vemos que todos os “grandes”, de políticos a poetas, sempre tiveram como característica a mania de arriscar. Churchill, Roosevelt, Darwin, Luther King que profetizou… “É melhor tentar e falhar que preocupar-se e ver a vida passar. É melhor tentar, ainda que em vão, que sentar-se fazendo nada até o final. Eu prefiro na chuva caminhar que em dias tristes em casa me esconder. Prefiro ser feliz, embora louco, que em conformidade viver.”

                Se pudesse viver novamente, trataria de cometer mais erros"; melancolicamente José Luis Borges (há controvérsias sobre a autoria) profere o que, talvez seja o mais famoso epitáfio, onde lamenta não ter arriscado e errado mais.

                A propósito, também sobre a tomada de decisões Dennis K. Berman, Nobel em economia em 2002, acaba de lançar seu último livro; “Thinking, Fast and Slow” onde afirma que a mente humana é uma máquina de chegar a conclusões precipitadas. E que quando tomamos uma decisão, enxergamos apenas o que queremos, ignorando possibilidade e riscos, numa espécie de bloqueio ao nosso desejo. Assim um observador neutro e imparcial é sempre uma boa alternativa.

                Segundo Dennis a capacidade computacional e os fantásticos bancos de dados serão suficientemente poderosos para eliminar as nossas dúvidas nos processos decisórios. Essa experiência já vem sendo feita no mercado acionário em Wall Street, com softwares com “feeling” para sacar as tendências do mercado e dos investidores. “Os computadores terão a capacidade de neutralizar nossas falhas de parcialidade, preconceito e até intuição, indicando assim o caminho mais seguro a tomar…”

                Um exemplo desta nova possibilidade pode ser visto no filme “O homem que mudou o jogo” ( seis indicações ao Oscar 2012), no qual Brad Pitt interpreta um administrador do time de beisebol Oakland Athletics, que com um orçamento apertado tem que se reinventar. É uma história real que coloca à prova os “olheiros” e “palpiteiros” profissionais na escolha de jogadores. Baseado em dados estatísticos e menos em “achismo”, trouxe para o esporte coletivo com bola, pela primeira vez uma aplicação estatística com extremo sucesso.

                É muito difícil para o nosso ego aceitar que uma máquina vai nos substituir em nosso julgamento e sentidos. Isso até alguns anos era impensável pela limitação da capacidade de armazenamento de dados e de processamento de tanta informação. Com isso resolvido não estão longe possibilidades como, por exemplo, decisões judiciais sejam tomadas por computadores.

                É fato que nesta onda inevitavelmente caímos no já velho dilema sobre a substituição do homem pelas máquinas. Ma a realidade é que a cada dia  isso vem ocorrendo em várias profissões.

                Jobs não fazia pesquisa de mercado, pois alegava que se o produto não existia, não existiria possibilidade de detectar sua aceitação. Ele citava Henry Ford, que afirmou que se perguntasse o que as pessoas queriam para se deslocar mais rápido, ele teria fabricado uma carroça mais veloz.

                Sei não se a vida não vai acabar perdendo a graça desse jeito… Afinal, os tropeços podem deixar o gosto amargo mas, são eles que nos moldam, nos esculpem e nos ensinam. As  melhores lições acabam sendo as mais doloridas e para mim a pior sensação mesmo, sem dúvida,  ainda é aquela de não ter arriscado… 

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  • ROGERIO MARQUES SEQUEIRA COSTA
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    É isto que se deveria resumir a vida diuturna do notário. É preciso que arrisquemos mais, sem medo de se perder. Aliás, no nosso estado sedentário, estamos perdendo sempre. Minha esposa e insubstituível companheira de todos os momentos já dizia antes que a minha principal característica é aventura de ser nômade e sair por aí. Certo dia, deixei um bom cargo, para abrenhar-se nos serviços notariais e registrais, em localidade provinciana e longíqua. Arrisquei … Investi … Mas, hoje, teimo cair em tédio por estarmos estacionados. Ilustre colega, é preciso criarmos Centrais Nacionais de Testamentos, Inventários, Divórcios e Procurações, e, ainda mais, outra de transações de veículos automotores, na base de nosso CNB. Por que não seguir o exemplo de Jobs? Esta aí de veículos automotores está no nosso Balcão. É só organizar… PENSEM NISSO!!!!

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