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PRISÃO PERPÉTUA (Padrão ABNT)

 em Diversos

 Já passava das 11 da noite e eu lia na cama, de repente bato no copo d´água no criado mudo e inundo tudo… corro buscar o secador de cabelo (novo) e quem diz que a tomada é compatível? Pego um adaptador e nada, corro atrás de filtro de linha/adaptador e nada! Nesta altura, colchão e travesseiros já embevecidos e eu emp..tecido. Acho um ventilador e perco uns 20 minutos na função… volto à cama – já meio congelada pelo glacial inverno curitibano – ainda soltando impropérios ao “padrão de tomadas ABNT.”

                Volto à leitura e – obra do destino – o subtítulo é: O aprisionamento tecnológico – transforma pensamentos em fatos.  Torço para que os meus (impublicáveis) pensamentos daquele momento não se concretizem e vou adiante na minha leitura. Lanier cita o filósofo Karl Popper que afirmou que “A ciência é um processo que desqualifica pensamentos à medida que progride.” Penso cá com meus botões (ainda úmidos): quanta coincidência, meus pensamentos neste momento nunca estiveram tão desqualificados!

                Resolvo me aprofundar no assunto e me assusto com o tamanho do problema. Googleando por “aprisionamento tecnológico” encontro a dissertação de mestrado de meu  conterrâneo Ricardo Engelberg, intitulada: “Os custos de troca em tecnologia da informação e o aprisionamento tecnológico das organizações.” Bingo! ele foi na veia do problema! Os custos das amarrações a que somos submetidos em informática podem não somente inibir mas inviabilizar o progresso e modernização de processos.

                Na medida em que nos tornamos absolutamente dependentes de sistemas informatizados  somos limitados pela própria tecnologia. O paradoxo é chocante: numa era em que o lema é “adapte-se ou morra”, em que a velocidade de consumo é ejetada diariamente pela inovação, que por sua vez é razão direta da informatização, somos limitados exatamente pelo aprisionamento de nossas opções iniciais.

                Lanier cita dois exemplos, o primeiro o UNIX que segundo o mesmo pelo seu design unificador nos limita até hoje, ele cita como um exemplo a “enervante” demora do iPhone que é “assombrado por estranhos e imprevisíveis tempos de espera na interface do usuário”. O outro exemplo seria o padrão MIDI de compressão musical que tendo sido uma fantástica invenção no passado, atualmente é uma grande trava na evolução de toda a gama de gadget´s que reproduzem músicas. E vejam atônitos leitores, toda a experiência auditiva humana atual é padrão MIDI! Portanto, segundo ele estamos limitadíssimos por uma estrutura rígida justamente até na música que é símbolo de criatividade e liberdade do homem.

                E eu que fiquei possuído com minhas prosaicas tomadas acabo me indagando: pelo andar dos bits estaríamos todos – bem como nossa descendência – irremediavelmente condenados a prisão perpétua?            

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