Nossa Senhora do Crack e Ateísmo

 em Diversos

Nossa Senhora do Crak e Ateísmo. Arte e filosofia nas ruas.

O Jornal Folha de São Paulo do dia 23 de julho (Caderno Cotidiano p.C5) publicou um intrigante artigo com o seguinte título: Artista cria ‘Nossa Senhora do Crak’, irrita morador, mas agrada arcebispo. Uma foto colorida, com ¼ do tamanho da página, ilustra o artigo.

 

Uma espécie de altar, colocado em uma rua da região conhecida como Cracolândia, no centro de São Paulo, foi montado por um artista plástico (Zaralla Neto) que declarou para a reportagem: Resolvi democratizar a santa. Ninguém enxerga estas pessoas. Elas merecem proteção. O artista afirmou ainda que buscou colocar no mesmo contexto artístico “a religião e o ópio do povo (Karl Marx).

Em ‘oração’ alguns usuários da droga fizeram uso dela (crak) ali mesmo, segundo informa a reportagem.

Claro que a iniciativa gerou muita polêmica. Críticas por um lado, elogios de outro.

O sábio arcebispo de São Paulo (que este autor, quando ainda um jovem seminarista, na cidade de Toledo, no Oeste do Paraná, terra natal de Dom Odilo Scherer, teve o prazer de conhecer) comentou a obra, nos seguintes termos, segundo informa a Folha: Vi e fiquei comovido. O drama dos dependentes químicos não pode nos deixar indiferentes… Nossa Senhora do Crack, rogai por eles, e por nós também!

No dia seguinte o jornal noticiou que a imagem foi destruída por um viciado mais exaltado.

O autor da obra foi procurado pela reportagem do jornal e o artista afirmou que talvez ainda refaça a obra.O fato é que o próprio altar vazio tem seu significado.

Isso é arte. Algo que não nos deixa indiferentes.

Certamente, no conceito moderno, tudo aquilo que tem o poder de nos incomodar, provocar ou enlevar por sua beleza estética é uma obra de arte.

E onde entra o ateísmo nesta história?

A própria Folhahttp://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/843807-campanha-em-onibus-diz-que-deus-pode-nao-existir.shtml alguns dias depois reproduziu a peça publicitária, colocada em ônibus que circulam nas ruas de Porto Alegre, promovida pela ONG denominada ATEA – Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos.

Por representar pessoas que se sentem discriminadas por sua crença, ou melhor, por sua ausência de crença ou religião, tal associação decidiu iniciar um movimento igualmente questionador para a sociedade atual, com o objetivo de diminuir a rejeição e o preconceito geral com relação a quem se professa descrente da existência e da influência de Deus sobre os seres humanos.

A peça publicitária retrata duas personalidades mundialmente conhecidas, com uma legenda que os identificam. De um lado está colocada a foto do ateu, Charles Chaplin (na figura de seu mais famoso personagem) de outro, o crente, Adolf Hitler e ao lado, a afirmação: Religião não define caráter.

Outra frase de efeito do grupo citado: Somos todos ateus com os deuses dos outros

Provocador, sem dúvida alguma. Isso é filosofia na rua. Algo que provoca, que nos faz pensar, e por à prova nossos conceitos e tudo aquilo que pensamos saber.

Os cartazes que circulam em Porto Alegre

 

 

 

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