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A coluna

 em Diversos

Tenho revisto o interesse em continuar a publicar textos nesta coluna do Colégio Notarial do Brasil. Talvez eu esteja passando por um momento difícil e isso esteja refletindo – ou respingando – naquilo que não guarda qualquer relação com os demais fatos.

Divagações à parte, tenho me desiludido com o nosso pessoal e já comentei isso com os colegas (veja, por exemplo, o comentário de 07 out. 2014 ao texto “Direito das sucessões e o novo código civil”, do colega Tarcísio Nunes). Ficam as perguntas: por que escrever um texto que ninguém lê? Por que escrever um texto se ninguém se dispõe a comentá-lo? O que leva um colega a ler o texto de outro e não o comentar? Será que o texto é imprestável? Será que o colega entendeu o que eu quis dizer? Sobram questões e faltam respostas.

Acompanhamos o contador de acessos, este que se reproduz. E também o contador de comentários que, quando muito, expele um número. Vou particularizar uma coisa: eu, Samuel, escrevo para ter um retorno, para saber o que os colegas pensam a respeito do tema que estou tratando. Saibam que eu não escrevo para simplesmente dizer “Nossa, olha só o meu novo texto!”. Eu já passei dessa fase e faz algum tempo. O que me interessa saber é o que pensa o colega do Acre, do Rio Grande do Sul, do Rio Grande do Norte, de São Paulo, do Paraná, de todos os lugares desse nosso Brasil e também do exterior.

Quero dizer que os colegas não comentam os nossos textos e isso me deixa desiludido. Claro, há exceções. E honrosas! Cito-as: José Hildor Leal, José Flávio Bueno Fischer, Angelo Volpi. Sinto-me pior quando eu faço um comentário a um texto do colega, que, da sua parte, não o responde. Quando eu externo um posicionamento, faço-o para lançá-lo ao ringue, para ser combatido, para estimular o debate. Dizendo de um modo mais técnico, para estimular o diálogo. Quem bate e apanha é o tema, não o seu autor.

Pessoal, acorda! O tempo está passando e continuamos escondidos atrás de nossas mesas vendo-o passar. Só isso. Se não mudarmos de postura, ficaremos isolados. Temos de dialogar e precisamos do diálogo. O nosso isolacionismo fará com que nos extingamos.

Isso não só me dói como também me preocupa. Por meio da Revista de Direito Imobiliário (Editora Revista dos Tribunais) n. 76 (jan.-jun. 2014) soube do imbróglio que se formou a partir da edição da Circular Notarial 1.833/2012 do CNB de São Paulo. O registrador (antes de tudo, nosso colega) Sérgio Jacomino nos dá notícia do aborrecimento que tomou conta da classe, pelo teor das severas críticas emanadas do CNB-SP. Além disso, o autor do texto nos informa que os princípios basilares do notariado (que os denomina “mantras”), foram duramente contestados por ocasião das discussões prévias à Lei 10.931/2004, principalmente pelos bancos, que apresentaram dados irrefutáveis. A meu ver, as ponderações do colega Sergio Jacomino estão corretas. Nós não estudamos, não dialogamos e, por consequência, temos o resultado disso. Como dizia Antônio Alves Araújo (meu pai, notário de saudosa memória): “colhe-se o que se planta”.

Se não nos colocarmos a par das discussões; se não nos colocarmos a par das novidades; se não tivermos uma postura dignificante à frente das serventias; se não estudarmos e, sobretudo, se não dialogarmos, tenham a certeza de um futuro tétrico.

Para quem não ia escrever mais, eu escrevi muito. Agora resta aguardar o retorno do pessoal. Tomara que ele venha.

 

Últimos posts
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  • Eduardo Pacheco Ribeiro de Souza
    Responder

    Samuel, por conta da RDI 76, enviei para publicação no blog um texto sobre a contratação particular. No texto, posições do meu amigo Sérgio Jacomino.
    Abraço,
    Eduardo

  • Samuel Luiz Araújo
    Responder

    Caro Eduardo,
    Obrigado pela atenção.
    Lerei o seu texto e darei um retorno.
    Abraço,
    SLA

  • Milson Fernandes Paulin
    Responder

    “Um tal de CANOTILHO”, certa vez, divagando acerca de um estudo de sua autoria (A Constituição Dirigente e a Vinculação do Legislador”, houve por bem admoestar que “a Constituição dirigente estaria morta se o dirigismo constitucional for entendido como normativismo constitucional revolucionário capaz de, por si só, operar transformações emancipatórias. Também suportará impulsos tanáticos qualquer texto constitucional dirigente introvertidamente vergado sobre si próprio […]”. Como sempre acertada, atual e irrepreensível a visão do mestre constitucionalista português.
    De fato, não só a Constituição dirigente tende ao arrefecimento quando vergada sobre si própria (numa absurda lógica individualista); mas tal também tende a ocorrer com qualquer pessoa, grupo social, pensamento ou ramo científico, quando vetorizada a uma visão particular fechada, egoística e, por assim dizer, comodista.
    A agremiação do pensamento intelectivo, com visos à construção de uma idéia e de um saber é basilar não só para o fortalecimento de uma dada classe, mas para a manutenção de sua própria realidade, de sua própria existência. Daí o clichê de que “o diálogo é fundamental”!
    Bem a propósito, pertinente é a lição de Aristóteles: “A prova de que a cidade é uma criação da natureza e tem prioridade sobre o indivíduo é que o indivíduo, quando isolado, não é auto-suficiente; no entanto, ele o é como parte relacionada com o conjunto”. Parabéns pelo texto, Samuel!

  • Samuel Luiz Araújo
    Responder

    Obrigado pelas palavras, Milson. Vamos dialogando!

  • J. Hildor
    Responder

    A indignação do Samuel é procedente. Sinto o mesmo, embora não o tivesse dito, ainda.
    Temos no Brasil algo em torno de 15 mil cartórios, e é possível perceber que possivelmente menos de 1% – o que daria 150 leitores – acompanha o blog notarial, ferramenta das mais úteis para os notários e registradores estudiosos, ou ao menos curiosos. Uma lástima!
    Se nem os colegas nos leem, quem nos lerá?
    Se nem os colegas comentam, quem comentará?
    Estaremos plantando no deserto?
    Mas, Samuel, não desanimemos. Teu texto é ótimo, teus conhecimentos são vastos, e isso deve ser compartilhado, seja com 15 mil, seja com 15. O importante é lançar a semente, que ela vai germinar, tenha certeza. O deserto um dia poderá se tornar uma floresta.
    Continua!

  • Samuel Luiz Araújo
    Responder

    Obrigado pelas gentis palavras, J. Hildor.
    Você nos enobrece.
    Mas estou cansado. Devo parar.
    Obrigado também por toda atenção.
    Um forte abraço,
    SLA
    (34) 3351-5943
    samuel.araujo@onda.net.br

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